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Picanha Invertida

Picanha InvertidaA picanha é um dos símbolos do churrasco gaúcho, junto com a costela, é claro. Presença constante nas churrascarias e nos churrascos “caseiros”  de domingo, bastante tradicionais por aqui. Moro em um bairro de casas, na zona sul de Porto Alegre. Uma das sensações interessantes é sair para caminhar no domingo, final da manhã, e sentir o cheiro de churrasco que se espraia pelas ruas do bairro… Já chego em caso com o apetite pronto: basta espetar a carne, fazer a caipirinha (ou pegar uma cerveja gelada) e começar o fogo, até o carvão arder em brasas. Daí pra frente começo a contribuir para o “perfume” local ;-)

Gosto da picanha mal passada, como muito dos apreciadores locais. Claro que existem diversos “níveis” de mal passado. Não estou falando de “sashimi de picanha”, mas acredito que ao assar demais a carne, ela fica dura e “chicletenta”. Aliás, tome cuidado ao comprar a picanha. Se ela pesar mais de 1,5kg, provavelmente você está comprando gato por lebre: geralmente a parte do boi chamada de picanha não ultrapassa esse peso.

PicanhaA picanha é um corte típico brasileiro do traseiro do boi. Em formato triangular, ela faz fronteira com o alcatra e  com o filé mignon. Alguns estudiosos do assunto consideram a picanha como parte do alcatra.  Outros países não costumam ter esse corte, pois cada um tem sua própria divisão das reses. Por exemplo, na nossa vizinha Argentina o boi tem uma divisão totalmente diferente e a picanha fica situada no corte denominado Cuadril. Tipicamente é chamada de Tapa de Cuadril. Já para os norte-americanos, a picanha constitui uma parte do chamado Rump. Segundo a Wikipedia, a picanha por lá seria denominada Rump Cover.

O nome picanha, segundo o veterinário Pedro Eduardo de Felício da Unicamp descreveu na revista Mundo Estranho da Editora Abril, “(…) vem do costume de tocar os bois com uma vara comprida, chamada de picana na região Sul. Com o tempo, a área atingida foi batizada com o nome do instrumento.”

Prato com PicanhaA receita desse post é a picanha invertida. Ela não é uma receita de churrasqueira, mas sim de forno. Quem me apresentou para a receita foi meu cunhado Gerson (não sei se é invenção dele, mas credito a ele a fonte do prato para o blog). O nome do prato vem de uma ação que deve ser realizada na picanha: a inversão do pedaço. Na receita abaixo, há uma descrição detalhada da inversão, parte mais difícil da receita. Depois disso é temperar, rechear com queijo provolone, assar em fogo baixo e se deliciar com a receita.

Bom Apetite, vivente!

Picanha Invertida (pdf/mp3)

(serve de 3 a 4 pessoas)

Ingredientes

  • 1,5 kg de picanha
  • 300 gr de queijo Provolone
  • 1 cálice de conhaque
  • quanto basta de sal grosso
  • quanto basta de Adobo

Modo de Preparo

O primeiro passo é inverter a picanha. Faça uma abertura com a faca na picanha, no sentido longitudinal, da parte mais grossa para a parte mais fina (como na segunda foto do blog). Tome cuidado para não furar a picanha. Remova o excesso de gordura da picanha (parte dura da gordura). Empurre a ponta da picanha para dentro e comece a puxar pela cavidade feita com a faca.

Início da Inversão da Picanha

Vá repetindo esse processo até a ponta entrar completamente na picanha e ela virar.

Processo de inversão da Picanha

O resultado final é a picanha invertida: a parte com a gordura (já retirados os excessos) fica para dentro.

Picanha já invertida

Depois de invertida, o próximo passo é rechear a picanha com o queijo provolone: retire a casca do queijo, corte em cubos e coloque dentro da carne.

Picanha com o recheio

Depois vem o tempero. Coloque o conhaque e o adobo (por dentro e por fora da peça). Se possível, feche a cavidade da picanha com cordão.

Fechando a Picanha

Não há problemas se não fechar, só vai sair um pouco do recheio para a forma.

Picanha fechada

Cubra a picanha com sal grosso. Pré-aqueça o forno em temperatura baixa (180ºC) e asse, mantendo a temperatura do forno, por cerca de uma hora ou até atingir o ponto desejado.

Filé na Mostarda

Filé na MostardaA Mostarda é bastante empregada no Brasil como um condimento. Muito utilizada na forma de pasta ou molho para temperar lanches, tais como cachorro-quente e bauru, e pizzas. Porém, pouco empregada na culinária tradicional e como condimento de carnes, algo bastante comum em países como França e Alemanha.

A base do condimento de mostarda é a semente da mostardeira (ou Mustard Plant), misturada com suco cítrico, vinagre e sal.  Pode ser encontrada na forma suave até uma variedade extremamente picante. Os ingleses e alemães consomem muito a mostarda forte, ao passo que os americanos costumam utilizar uma mostarda mais suave e adocicada, contendo açúcar na sua fórmula.

Talvez a mais famosa das mostardas seja a francesa de Dijon, no original Moutarde de Dijon. Porém, a França não faz parte do grupo dos maiores produtores de sementes de mostarda do mundo, tais como Canadá (cerca de 40% do total), Nepal, República Checa e Rússia. Outra mostarda bem característica, e também muito saborosa, é a escura, feita a partir da semente preta e não da tradicional amarelada.

Filé ao Molho de Mostarda acompanhado de Risoto de FunghiIndependente do tipo de mostarda, do formato e do quanto ela é picante, seu uso como condimento de carnes é excepcional, como pode ser observado no post do Lombo Caramelado. Na receita de hoje, a mostarda junta-se ao creme de leite fresco e ao filé mignon produzindo um sabor magnífico. Na foto acima, ela vem acompanhada de um Risoto de Funghi Secchi, mas essa receita fica para outro post…

Bom proveito ;-)

Filé na Mostarda (mp3 / pdf)

(serve de 4 a 5 pessoas)

Ingredientes

  • 1,2 Kg de filé mignon cortado em medalhões
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • ½ xícara de conhaque
  • 2 tabletes de caldo de carne
  • 4 colheres de sopa de mostarda
  • 350 gramas de creme de leite fresco, pasteurizado (nata)
  • 2 xícaras de água fervendo
  • 2 colheres de sopa de salsa picada
  • quanto basta de sal
  • quanto basta de pimenta do reino

Modo de Preparo

Aqueça uma porção da manteiga na frigideira (cerca de 1/2 colher de sopa). Frite os filés um a um, acrescentando manteiga conforme o necessário. Tempere-os depois de fritos com sal e pimenta à gosto. Após fritar, mantenha-os aquecido (por exemplo em uma travessa mantida quente no forno). Após terminar a fritura, é hora de flambar os filés: coloque-os em uma frigideira grande, em fogo alto, regue com o conhaque e incline a frigideira no fogão até o conhaque incendiar. Quando o fogo se extinguir, passe os filés para a travessa aquecida. Junte o caldo de carne dissolvido em 2 xícaras de água fervente a gordura que ficou na frigideira e leve ao fogo até ferver. Adicione a mostarda e mexa bem. Desligue o fogo, acrescente o creme de leite e a salsa picada e misture bem. Despeje o creme sobre os filés e sirva em seguida.